Tudo passa. Tudo o que é sólido desmancha no ar. Gasta-se o ferro quanto mais o amor. Tudo é a mais pura ilusão, tolos somos nós de acreditarmos no permamente, no agora, nos momentos que se evaporarão sem conseguirmos recuperar Engana-se o homem que pode segurar o tempo através de fotos, sementes guardadas, flores secas como marcadores de páginas, livros, memórias. Registra-se o tempo para poder esquecê-lo depois. Há algo muito mais superior que nunca entenderemos. Queremos saber de tudo, mas não há o que se perguntar. Queremos o outro, o externo, o inatingível. Trabalhamos incansavelmente para tudo se perder depois. O que temos? Nada. Apenas corpo e alma e alma e corpo. Cultivemos-nos, pois o que vale é isso. Nada de prazeres momentâneos, ocos, sem princípio ou fim. O começo sou eu, o nada, o fim. Eu sou. Eu sou. Não se ama, pensa-se, engana-se. O amor, em doses moderadas, Leva ao desamor. Não me ache pessimista, Pois a pior decrepitude do ser humano é a não-razão, A busca, a eterna busca do que não é e ainda assim Queremos que seja.
Escrito por *~~Minerva~~* às 23h21
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